
Sedentarismo entre os jovens pode aumentar risco de doenças cardíacas no futuro
Dados da OMS revelam que jovens precisam praticar mais atividades físicas, e especialista alerta que a prevenção cardiovascular deve começar ainda nos primeiros anos de vida
Mais de 80% dos adolescentes em todo o mundo não praticam atividade física suficiente para manter a saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A recomendação da entidade é que crianças e adolescentes realizem pelo menos 60 minutos diários de atividade física.
Ao mesmo tempo, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) alerta que a inatividade física está entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e obesidade. Pessoas sedentárias apresentam risco de morte entre 20% e 30% maior do que aquelas que mantêm níveis adequados de atividade física.
Diante desse cenário, a médica cardiologista Fernanda Douradinho chama atenção para a necessidade de iniciar a prevenção cardiovascular ainda na infância.O sedentarismo entre crianças e adolescentes têm impacto direto na saúde presente e futura.
“O sedentarismo na infância e na adolescência pode ter consequências que acompanham o indivíduo até a vida adulta. A falta de atividade física favorece o ganho de peso, o aumento da pressão arterial, alterações do colesterol e maior risco de resistência à insulina e diabetes”, explica.
Os hábitos adquiridos durante essa fase tendem a ser levados para o resto da vida. Uma criança ou adolescente sedentário pode chegar à idade adulta já acumulando fatores de risco para doenças cardiovasculares. A prevenção precisa começar cedo. Estimular o movimento e a atividade física desde a infância é uma forma de cuidar do coração não apenas hoje, mas também no futuro.
O crescimento do tempo de tela, a redução das atividades ao ar livre, a piora da qualidade do sono e a alimentação baseada em produtos ultraprocessados estão entre os fatores que preocupam os especialistas.
“O que mais preocupa é observarmos cada vez mais cedo fatores de risco que antigamente eram associados principalmente aos adultos. Crianças e adolescentes podem apresentar excesso de peso e obesidade, pressão arterial elevada, alterações do colesterol, resistência à insulina e até diabetes tipo 2”, afirma Fernanda.

Doenças do coração começam antes dos sintomas
A crença de que doenças cardiovasculares são um problema exclusivo da terceira idade já não corresponde à realidade. Embora infartos, AVCs e outras complicações sejam mais frequentes em pessoas mais velhas, a construção do risco cardiovascular inicia-se muito antes.
As doenças cardiovasculares geralmente se manifestam clinicamente na vida adulta, mas o processo que leva a elas pode começar muito antes. A Dra. Fernanda Douradinho faz um alerta para a mudança do estilo de vida das novas gerações que mudou bastante. “Temos mais tempo de tela, menos brincadeiras e atividades ao ar livre, maior consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, além de alterações na qualidade do sono”.
O mais importante é transformar hábitos saudáveis em parte da rotina familiar. Incentivar crianças e adolescentes a se movimentarem diariamente, praticarem esportes, brincarem ao ar livre e reduzirem o tempo sedentário diante das telas é fundamental.
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