Sedentarismo entre os jovens pode aumentar risco de doenças cardíacas no futuro
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Sedentarismo entre os jovens pode aumentar risco de doenças cardíacas no futuro

02 de outubro de 2026·Kaue de Oliveira Requejo

Dados da OMS revelam que jovens precisam praticar mais atividades físicas, e especialista alerta que a prevenção cardiovascular deve começar ainda nos primeiros anos de vida

Mais de 80% dos adolescentes em todo o mundo não praticam atividade física suficiente para manter a saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A recomendação da entidade é que crianças e adolescentes realizem pelo menos 60 minutos diários de atividade física.

Ao mesmo tempo, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) alerta que a inatividade física está entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e obesidade. Pessoas sedentárias apresentam risco de morte entre 20% e 30% maior do que aquelas que mantêm níveis adequados de atividade física.

Diante desse cenário, a médica cardiologista Fernanda Douradinho chama atenção para a necessidade de iniciar a prevenção cardiovascular ainda na infância.O sedentarismo entre crianças e adolescentes têm impacto direto na saúde presente e futura.

“O sedentarismo na infância e na adolescência pode ter consequências que acompanham o indivíduo até a vida adulta. A falta de atividade física favorece o ganho de peso, o aumento da pressão arterial, alterações do colesterol e maior risco de resistência à insulina e diabetes”, explica.

Os hábitos adquiridos durante essa fase tendem a ser levados para o resto da vida. Uma criança ou adolescente sedentário pode chegar à idade adulta já acumulando fatores de risco para doenças cardiovasculares. A prevenção precisa começar cedo. Estimular o movimento e a atividade física desde a infância é uma forma de cuidar do coração não apenas hoje, mas também no futuro.

O crescimento do tempo de tela, a redução das atividades ao ar livre, a piora da qualidade do sono e a alimentação baseada em produtos ultraprocessados estão entre os fatores que preocupam os especialistas.

“O que mais preocupa é observarmos cada vez mais cedo fatores de risco que antigamente eram associados principalmente aos adultos. Crianças e adolescentes podem apresentar excesso de peso e obesidade, pressão arterial elevada, alterações do colesterol, resistência à insulina e até diabetes tipo 2”, afirma Fernanda.

Fernanda Douradinho. Médica Cardiologista

Doenças do coração começam antes dos sintomas

A crença de que doenças cardiovasculares são um problema exclusivo da terceira idade já não corresponde à realidade. Embora infartos, AVCs e outras complicações sejam mais frequentes em pessoas mais velhas, a construção do risco cardiovascular inicia-se muito antes.

As doenças cardiovasculares geralmente se manifestam clinicamente na vida adulta, mas o processo que leva a elas pode começar muito antes. A Dra. Fernanda Douradinho faz um alerta para a mudança do estilo de vida das novas gerações que mudou bastante. “Temos mais tempo de tela, menos brincadeiras e atividades ao ar livre, maior consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, além de alterações na qualidade do sono”.

O mais importante é transformar hábitos saudáveis em parte da rotina familiar. Incentivar crianças e adolescentes a se movimentarem diariamente, praticarem esportes, brincarem ao ar livre e reduzirem o tempo sedentário diante das telas é fundamental.