Quem fica com o pet? Separações ganham novas regras para definir convivência e despesas
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Quem fica com o pet? Separações ganham novas regras para definir convivência e despesas

02 de outubro de 2026·Lucas Campos Vieira

Lei estabelece critérios para a custódia compartilhada de animais de estimação e Congresso discute ampliar a proteção jurídica dos vínculos entre tutores e pets

O fim de um relacionamento pode deixar uma pergunta que não aparece na divisão de bens: quem fica com o pet? A resposta passou a contar com regras específicas no Brasil, que permitem a custódia compartilhada quando o casal não chega a um acordo. A legislação estabelece que a definição deve considerar as condições de moradia, os cuidados oferecidos, a disponibilidade de tempo e a capacidade de sustento de cada uma das partes.

Mais do que determinar onde o animal vai morar, a regra também organiza a rotina depois da separação. Alimentação e higiene ficam a cargo de quem estiver com o pet, enquanto despesas como consultas veterinárias, internações e medicamentos são divididas igualmente. Para a advogada especialista em Direito de Família Monica Perez, a mudança coloca no centro da discussão uma questão que antes ficava muitas vezes restrita aos acordos particulares. “A separação não encerra o vínculo que cada pessoa construiu com o animal. É preciso encontrar uma forma de reorganizar essa convivência sem transformar o pet em objeto de disputa”, afirma.

A legislação também estabelece limites. A custódia compartilhada não deve ser concedida quando houver histórico ou risco de violência doméstica e familiar ou ocorrência de maus-tratos contra o animal. Nessas situações, a posse e a propriedade podem ser transferidas para a outra parte. O descumprimento reiterado das regras de convivência também pode levar à perda definitiva da custódia compartilhada.

Para Monica, o ponto central não está em dividir o animal de maneira matemática, mas em construir uma rotina compatível com suas necessidades. “Não existe uma fórmula que funcione para todos. Um animal pode se adaptar bem a mudanças de residência e outro pode sofrer com uma rotina fragmentada. A decisão precisa considerar o indivíduo e o bem-estar dele”, explica.

O assunto, porém, não parou na regulamentação da custódia. O vínculo afetivo entre pessoas e animais voltou a avançar no Congresso, com um projeto apresentado neste ano que propõe uma Política Nacional de Proteção aos Vínculos Afetivos Multiespécies. A proposta reconhece a relevância jurídica e social da relação entre seres humanos e animais domésticos e passou a tramitar em conjunto com outro projeto na Câmara nesta semana.

A movimentação legislativa mostra que a discussão começa a ultrapassar a pergunta sobre quem ficará com o pet. “Estamos falando de uma mudança na própria forma de compreender essas relações. O Direito começa a ser chamado a lidar com vínculos afetivos que já fazem parte da realidade das famílias, mas que durante muito tempo ficaram fora das discussões jurídicas”, conclui Monica.

Monica Perez, Advogada especialista em Direito da Familia

Sobre a Furno Petraglia e Pérez Advocacia

O escritório Furno Petraglia Advocacia iniciou suas atividades em 2004 com a advogada Ester Lúcia Furno Petraglia e, posteriormente, em 2011, com o sócio-advogado Leandro Furno Petraglia. Já o escritório Branco Pérez Advocacia, iniciou suas atividades sob o comando da advogada Monica Alice Branco Pérez em 2009. Foi em 2016 que houve a união entre os dois escritórios, sendo que hoje atuam em toda a Baixada Santista e São Paulo, além de outros Estados do Brasil, diretamente e através de correspondentes.

 O escritório já atuou em quase 3 mil processos ao longo da sua trajetória e tem presença constante em diversos Tribunais. Atualmente, além de atuar em Marcas e Patentes, Direito do Trabalho, de Família e Sucessões, Previdenciário, Civil, do Consumidor, Imobiliário, Tributário e Administrativo, tem sua a maior atividade na área de Direito Animal, como no caso da Pandora, que se perdeu no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no começo do ano, e o caso das búfalas de Brotas, que foi eleito o maior caso de maus tratos do mundo.

Das conquistas, além de quase centenas de embarques de animais em cabine, foram os responsáveis pela permissão, junto à Justiça Federal, para o transporte de coelhos em todo o Brasil. O caso foi noticiado no programa Fantástico, da Rede Globo, em abril de 2022.