Fabricar no Brasil ou importar da China? Empresas avaliam custos, escala e margem antes de decidir
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Fabricar no Brasil ou importar da China? Empresas avaliam custos, escala e margem antes de decidir

19 de agosto de 2026·Redação SantosPress

Decidir entre fabricar no Brasil ou importar da China exige uma análise que vai além do preço do produto. Custos de matéria-prima, mão de obra, logística, impostos, câmbio, estoque e capacidade produtiva podem mudar significativamente o resultado de uma operação.

Segundo Heloísa Galvão, CFO da China Link, empresa brasileira especializada em negócios com a China, a importação tende a ser vantajosa em produtos com grande escala de produção, cadeia industrial madura e fornecedores especializados, como eletrônicos, máquinas e equipamentos, ferramentas, iluminação, utilidades e acessórios. "A China se destaca justamente pela capacidade de reunir fornecedores, componentes, tecnologia e produção em larga escala, o que permite ao empresário acessar mais variedade, competitividade de custo e possibilidades de personalização", afirma.

A experiência da Amour Pet ilustra como essa estratégia pode impactar o negócio. De acordo com Rodrigo Vidal, a empresa conseguiu aumentar a disponibilidade de produtos e reduzir custos ao transferir parte da produção para a China. "A fabricação na China é muito mais barata, seja por terem uma cadeia produtiva muito integrada entre todas as matérias-primas, especialização das fábricas, produções em grandes escalas e mão de obra produtiva", explica.

Vidal afirma que o ganho de estoque foi um dos principais resultados. "O elevado ganho na profundidade de estoque nos possibilitou ter vendas para o mês inteiro, sem furo de estoque de aproximadamente metade do mês que tínhamos por ter mais demanda de pedidos do que a fábrica conseguia produzir."

A comparação também precisa considerar custos que nem sempre aparecem no planejamento da produção nacional: perdas de produção, manutenção de máquinas, controle de qualidade e perdas em estoque. "Além do custo, eu olharia principalmente para margem, previsibilidade, escala e capacidade de crescimento", destaca Heloísa.

Para Vidal, a importação pode melhorar a competitividade, mas depende de planejamento. "Entender o momento exato de solicitar o pedido, por exemplo, pode colocar abaixo qualquer lucratividade, pois faz-se necessário analisar o valor do frete marítimo, variação cambial do dólar, impostos, entre outros." A decisão deve considerar o custo total de cada modelo e o potencial de crescimento da empresa, e não apenas o preço de fabricação.