
Fabricar no Brasil ou importar da China? Empresas avaliam custos, escala e margem antes de decidir
Decidir entre fabricar no Brasil ou importar da China exige uma análise que vai além do preço do produto. Custos de matéria-prima, mão de obra, logística, impostos, câmbio, estoque e capacidade produtiva podem mudar significativamente o resultado de uma operação.
Segundo Heloísa Galvão, CFO da China Link, empresa brasileira especializada em negócios com a China, a importação tende a ser vantajosa em produtos com grande escala de produção, cadeia industrial madura e fornecedores especializados, como eletrônicos, máquinas e equipamentos, ferramentas, iluminação, utilidades e acessórios. "A China se destaca justamente pela capacidade de reunir fornecedores, componentes, tecnologia e produção em larga escala, o que permite ao empresário acessar mais variedade, competitividade de custo e possibilidades de personalização", afirma.
A experiência da Amour Pet ilustra como essa estratégia pode impactar o negócio. De acordo com Rodrigo Vidal, a empresa conseguiu aumentar a disponibilidade de produtos e reduzir custos ao transferir parte da produção para a China. "A fabricação na China é muito mais barata, seja por terem uma cadeia produtiva muito integrada entre todas as matérias-primas, especialização das fábricas, produções em grandes escalas e mão de obra produtiva", explica.
Vidal afirma que o ganho de estoque foi um dos principais resultados. "O elevado ganho na profundidade de estoque nos possibilitou ter vendas para o mês inteiro, sem furo de estoque de aproximadamente metade do mês que tínhamos por ter mais demanda de pedidos do que a fábrica conseguia produzir."

A comparação também precisa considerar custos que nem sempre aparecem no planejamento da produção nacional: perdas de produção, manutenção de máquinas, controle de qualidade e perdas em estoque. "Além do custo, eu olharia principalmente para margem, previsibilidade, escala e capacidade de crescimento", destaca Heloísa.
Para Vidal, a importação pode melhorar a competitividade, mas depende de planejamento. "Entender o momento exato de solicitar o pedido, por exemplo, pode colocar abaixo qualquer lucratividade, pois faz-se necessário analisar o valor do frete marítimo, variação cambial do dólar, impostos, entre outros." A decisão deve considerar o custo total de cada modelo e o potencial de crescimento da empresa, e não apenas o preço de fabricação.
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