Maresia acelera corrosão de equipamentos portuários e reforça importância da manutenção preventiva
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Maresia acelera corrosão de equipamentos portuários e reforça importância da manutenção preventiva

19 de agosto de 2026·Redação SantosPress

A combinação entre alta umidade, salinidade e exposição constante ao ambiente marinho torna os portos um dos ambientes mais agressivos para equipamentos e estruturas metálicas. Na Baixada Santista, onde está localizado o Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, a corrosão representa um desafio permanente para empresas que dependem da disponibilidade de ativos para manter suas operações.

O impacto desse fenômeno é expressivo. De acordo com estimativas da NACE International (atual AMPP), a corrosão gera perdas equivalentes a cerca de 3,4% do PIB mundial. A entidade também aponta que a adoção de boas práticas de prevenção pode reduzir entre 15% e 35% desses custos.

Segundo Ricardo Fernandes, especialista na preservação e recuperação de ativos industriais da RCF Serviços Industriais, praticamente todos os equipamentos metálicos em ambientes portuários sofrem algum nível de agressão provocado pela maresia. "Entre os ativos mais afetados estão estruturas metálicas de píeres, guindastes, correias transportadoras, bombas, tubulações, válvulas, tanques e flanges. A presença de cloretos acelera os processos eletroquímicos da corrosão, favorecendo a retenção de umidade e provocando perda de espessura, deterioração de soldas e redução da capacidade estrutural dos equipamentos", explica.

O especialista alerta que a corrosão raramente representa apenas um problema estético. "Ela compromete resistência mecânica, vedação, geometria e confiabilidade operacional. Uma degradação localizada pode evoluir rapidamente para uma parada não programada com alto impacto operacional."

Embora presente continuamente em ambientes marítimos, os primeiros sinais da corrosão costumam ser discretos: pontos de oxidação, bolhas na pintura, alteração de cor dos revestimentos, pequenas crateras, perda localizada de material. "Em muitos casos, a corrosão avança sob a pintura ou em regiões de difícil acesso. Quando o dano finalmente aparece, a perda de espessura já pode ser significativa", observa.

Atualmente, existem tecnologias que possibilitam recuperar superfícies metálicas e proteger equipamentos sem a necessidade imediata de substituição dos ativos. Entre as alternativas estão revestimentos poliméricos de alta resistência química, materiais compósitos para recuperação de tubulações e estruturas, e sistemas de proteção de flanges. "A tecnologia deve ser escolhida de acordo com o mecanismo de falha, a criticidade do equipamento e a vida útil esperada. Um reparo inadequadamente especificado pode apenas mascarar o problema e postergar uma falha mais grave."

Para Ricardo Fernandes, um dos erros mais comuns é tratar a corrosão apenas quando surgem vazamentos ou perdas estruturais evidentes. "O maior custo normalmente não está no material utilizado para o reparo, mas na parada não programada, na indisponibilidade do equipamento, na perda de produção e na mobilização emergencial. A manutenção precisa deixar de ser reativa e evoluir para uma estratégia de gestão da integridade dos ativos", conclui.