Mês das Crianças reforça alerta para vacinação em dia
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Mês das Crianças reforça alerta para vacinação em dia

02 de outubro de 2026·Kaue de Oliveira Requejo

Especialista destaca que atrasos vacinais se tornam mais frequentes após os dois anos de idade e alerta para a importância da imunização como ferramenta de proteção das crianças

O Dia das Crianças costuma ser marcado por brincadeiras, lazer e momentos em família, mas a data também é um convite para refletir sobre um dos principais pilares da saúde infantil: a prevenção. Entre os cuidados essenciais está a manutenção do calendário vacinal atualizado, uma medida capaz de proteger crianças e adolescentes contra doenças potencialmente graves e evitar a reintrodução de enfermidades que já estavam controladas no país.

O alerta ganha ainda mais importância em um cenário em que a cobertura vacinal brasileira ainda enfrenta desafios. Estudos e levantamentos recentes reforçam essa preocupação. Dados do Ministério da Saúde divulgados em 2026 apontam que apenas duas vacinas do calendário nacional alcançaram a meta de cobertura vacinal em 2025. 

Segundo a infectologista pediátrica Carolina Brites, um dos principais motivos para os atrasos acontecem após os primeiros anos de vida. Até os 18 meses de idade da criança, os pais já sabem que existe uma rotina de vacinação muito frequente. Depois disso, as doses passam a ser mais espaçadas e é justamente nesse momento que começam a ocorrer falhas. “Precisamos estar atentos para que essas vacinas não sejam esquecidas”, explica.

A atenção deve se estender também à adolescência, fase em que muitas famílias deixam de acompanhar o calendário vacinal com a mesma frequência. É fundamental lembrar das vacinas respiratórias, como influenza e pneumocócica, além da vacina contra o HPV, que é extremamente importante para meninos e meninas por sua capacidade de prevenir diversos tipos de câncer relacionados ao papilomavírus humano.

Apesar dos avanços recentes, a especialista destaca que algumas vacinas continuam apresentando baixa adesão da população.

“Infelizmente, observamos queda em coberturas importantes, principalmente da tríplice viral, da gripe e da Covid-19. Muitas vezes isso acontece porque as pessoas deixam de conviver com essas doenças e passam a acreditar que elas não representam mais risco. Também existem mitos que contribuem para a hesitação vacinal.”

O tema vai além da proteção individual, a vacinação deve ser entendida como uma questão de saúde pública. 

Para as famílias que têm dúvidas sobre a situação vacinal dos filhos, a orientação é procurar ajuda profissional.

“Não é obrigação dos pais saber exatamente quais vacinas estão faltando. O ideal é buscar orientação com o pediatra ou com a equipe de enfermagem das unidades de saúde. Mesmo quando a carteira de vacinação foi perdida, muitos serviços públicos e privados possuem registros que permitem recuperar o histórico e atualizar a imunização”, orienta.

Sobre Carolina Brites 

Carolina Brites concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. 

Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP. 

Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora. 

Carolina Brites CRM-SP: 115624 | RQE: 122965