
Jojó de Olivença: das ondas ao legado familiar
No Dia dos Pais, a trajetória de Jojó de Olivença, idealizador do Projeto Onda, nos lembra que ser pai é muito mais do que estar presente: é criar laços de confiança e transmitir valores que moldam vidas. Sem apoio inicial dos pais, que viam o surfe como perigoso e sem futuro, Jojó encontrou na persistência e na paixão pelo mar a força para seguir. Essa determinação não apenas construiu sua carreira, mas também definiu sua forma de ser pai de Kaipo e Kauan.
Sua trajetória começou de forma desafiadora. Em uma época em que o surfe ainda era visto com desconfiança, Jojó enfrentou o receio de seus pais em relação ao mar e à prática do esporte. "Eu não sabia nadar realmente e era muito perigosa a praia onde eu comecei. Além disso, eles não viam no surfe nenhuma perspectiva, nenhum futuro para mim. Literalmente eu não tive o apoio dos meus pais para começar a surfar", lembra Jojó.
Ao perceber o impacto da ausência durante o Circuito Mundial, Jojó decidiu abrir mão das competições para acompanhar de perto o crescimento dos filhos. Ele e a esposa Adriana priorizaram disciplina, amor e valores sólidos, pilares que ajudaram a formar adultos responsáveis e éticos.
"Hoje os meus filhos são adultos. Mas, quando eram crianças e adolescentes, eu e a Adriana, minha esposa, sempre fomos muito presentes na criação deles. Quando nasceu o segundo filho, realmente renunciei à minha permanência no Circuito Mundial exatamente para ser um pai mais presente", relata.
Kaipo cresceu dentro do projeto do pai e hoje é Coordenador da instituição. De aluno a professor, percorreu todas as etapas até liderar iniciativas que oferecem aulas de surfe gratuitas, apoio pedagógico e assistência social para crianças e famílias do Guarujá. "Hoje tudo que eu aprendi e me tornei foi graças aos conceitos que pude extrair desse esporte maravilhoso: superação, empatia, respeito, cooperação, cuidado com o meio ambiente… Consegui vencer até minha timidez", conta Kaipo.
Kauan também participou como voluntário e instrutor, seguindo outros caminhos depois. Para o primogênito, ter um pai surfista significa que as melhores programações acontecem na praia, mas quando encontram a onda perfeita, Jojó ativa o modo competidor. "Claro que é tudo um grande divertimento para nós dois e sempre que eu acho que vou conseguir ganhar a bateria do dia ele prova porque foi bicampeão Brasileiro", conta Kaipo.

"O Dia dos Pais é uma data comemorativa, mas eu não apego muito a datas. Acho que o que vale é o dia a dia. O quanto você se dedica, de qualidade aos filhos, à família. Meus filhos representam muito para mim. Não tenho a menor dúvida que os filhos são presentes de Deus pra gente e está sobre nossos ombros a responsabilidade de criá-los, de educá-los e de dar um direcionamento na vida deles", conclui Jojó.
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