Formação profissional precisa ir além do conhecimento técnico diante da crescente exaustão dos jovens
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Formação profissional precisa ir além do conhecimento técnico diante da crescente exaustão dos jovens

06 de agosto de 2026·Redação SantosPress

A rotina cada vez mais acelerada, a pressão por resultados e a insegurança em relação ao futuro estão transformando não apenas a forma como as pessoas vivem, mas também como aprendem e se preparam para o mercado de trabalho. Dados da pesquisa "O Brasil de Agora", realizada pelo Instituto Aerah House com dois mil brasileiros, revelam um cenário de exaustão que desafia diferentes setores da sociedade, entre eles, a educação superior.

Segundo o levantamento, 59% dos brasileiros afirmam viver uma rotina de cansaço constante. Outros 69% acreditam que a vida exige mais do que antes, enquanto 66% dizem que, mesmo planejando e organizando a própria rotina, continuam preocupados com sua estabilidade. Entre os jovens mais pressionados, 38% afirmam sentir-se sobrecarregados tentando dar conta de todas as responsabilidades.

Para o reitor do Centro Universitário ESAMC Santos, Pedro Smolka, esse cenário já é percebido dentro das salas de aula. "Percebemos alunos que manifestam com muito mais frequência questões relacionadas à ansiedade, dificuldades de concentração e outros desafios emocionais do que víamos há duas décadas. A universidade precisa compreender essa realidade para continuar formando profissionais preparados para o mundo que encontrarão depois da graduação", afirma.

Na avaliação do educador, o domínio técnico continua sendo indispensável, mas já não é suficiente para atender às exigências do mercado de trabalho. Competências como inteligência emocional, liderança, comunicação, organização, capacidade de adaptação e trabalho em equipe passaram a ocupar um espaço tão importante quanto o conhecimento específico de cada profissão.

"Conhecimento técnico continua sendo indispensável, mas ele, sozinho, já não basta. O profissional precisa saber lidar com pessoas, administrar conflitos, tomar decisões, trabalhar sob pressão e aprender continuamente. Essas competências também precisam fazer parte da formação universitária", destaca Smolka.

Nesse contexto, o reitor defende que o papel do professor também evoluiu. "O professor não deve ser apenas alguém que entra na sala para dar aula. Ele precisa estabelecer uma conexão com o aluno, ser uma referência de confiança, alguém que escuta, orienta e acompanha seu desenvolvimento. Isso não significa reduzir a exigência acadêmica."

"Vivemos um momento em que muitos jovens enxergam caminhos de sucesso imediato, especialmente pelas redes sociais. Mas carreiras consistentes continuam sendo construídas sobre conhecimento, experiência e desenvolvimento profissional. O sucesso financeiro costuma ser consequência dessa trajetória, não o seu ponto de partida", conclui.