Crescente do consumo de energéticos no Brasil alerta para riscos ao coração
← Voltar às Notícias

Crescente do consumo de energéticos no Brasil alerta para riscos ao coração

16 de outubro de 2026·Kaue de Oliveira Requejo

Especialista alerta que a alta no consumo dessas bebidas acende debate sobre os efeitos da cafeína e de outros estimulantes na pressão arterial, nos batimentos cardíacos e na saúde do coração

O consumo de bebidas energéticas no Brasil cresceu 9% no último ano, segundo levantamento da NielsenIQ, refletindo uma tendência cada vez mais presente entre adolescentes, universitários, praticantes de atividade física e profissionais que enfrentam longas jornadas de estudo e trabalho. Embora sejam frequentemente associadas ao aumento da disposição e da concentração, especialistas alertam que o consumo excessivo pode trazer impactos importantes para a saúde cardiovascular.

De acordo com a cardiologista Fernanda Douradinho, os energéticos contêm substâncias estimulantes capazes de alterar temporariamente o funcionamento do organismo. “Essas bebidas podem provocar aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e palpitações. Em algumas pessoas, principalmente quando consumidas em grandes quantidades, podem favorecer alterações do ritmo cardíaco”, explica.

Um dos principais fatores de preocupação é a percepção de que os energéticos seriam produtos inofensivos. Muitos consumidores, especialmente os jovens, acreditam nisso. Mas o energético não é apenas um refrigerante. Ele contém substâncias estimulantes que exigem cuidado.

O risco tende a ser maior quando o consumo ocorre em situações já marcadas por sobrecarga física ou mental. Privação de sono, estresse, desidratação e prática intensa de exercícios podem potencializar os efeitos dos estimulantes presentes na bebida.

Muitas pessoas utilizam energéticos para conseguir estudar ou trabalhar por mais tempo, mas é importante entender que essas bebidas não substituem o descanso adequado. “Durante o exercício físico, o organismo já apresenta um aumento natural da frequência cardíaca. A associação com altas doses de estimulantes pode intensificar essa resposta, especialmente em pessoas predispostas a arritmias”, alerta Fernanda.

Os sinais mais comuns relacionados ao consumo excessivo incluem palpitações, taquicardia, aumento da pressão arterial, tremores e sensação de ansiedade. Em alguns casos, os sintomas podem indicar a necessidade de avaliação médica imediata.

“É importante ficar atento principalmente a palpitações persistentes, tonturas intensas, sensação de desmaio, dor no peito ou falta de ar. Esses sintomas não devem ser considerados normais simplesmente porque a pessoa consumiu um energético”, destaca a especialista.

Outro hábito que preocupa os especialistas é a mistura de energéticos com bebidas alcoólicas, prática comum especialmente entre jovens. Segundo Fernanda, a combinação pode mascarar os efeitos do álcool e favorecer um consumo maior da bebida alcoólica.

A médica também reforça que o energético não neutraliza os efeitos do álcool. “A cafeína pode diminuir a percepção de sonolência provocada pelo álcool, fazendo com que a pessoa se sinta mais alerta, embora continue sob os efeitos da bebida alcoólica. Isso aumenta o risco de intoxicação, desidratação, palpitações e alterações do ritmo cardíaco”, explica.

Sobre Fernanda Douradinho


Fernanda Douradinho da Rocha Silva é médica cardiologista, formada em 2007 pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (Centro Universitário Lusíadas). Realizou residência em Clínica Médica (2008–2010) e Cardiologia (2010–2012) no Hospital Ana Costa, em Santos.

Possui título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2013. Atualmente, atua como médica diarista nas Unidades de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro, e também coordenadora da UTI cardiológica do Hospital Guilherme Álvaro, professora da disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da UNAERP e mantém seu consultório de cardiologia na Av. Ana Costa, em Santos.