
Autodefesa na infância fortalece confiança e ajuda a formar mulheres mais seguras
Com alta nos casos de feminicídio no Brasil, Professora do Projeto Mulheres que Lutam destacam a importância de iniciativas que promovam autonomia, autoestima e consciência corporal entre meninas desde cedo
O aumento dos casos de feminicídio no Brasil acende um alerta sobre a importância de ações preventivas voltadas à proteção e ao fortalecimento de meninas e mulheres. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) apontam que 399 mulheres foram vítimas de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 7,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Diante desse cenário, projetos que utilizam o esporte como ferramenta de transformação social ganham ainda mais relevância. É o caso do Projeto Mulheres que Lutam, que utiliza o judô para promover não apenas o desenvolvimento físico, mas também valores como respeito, disciplina, autoconfiança e autonomia entre meninas.
Para a professora do projeto, Rosanne Aguiar, o trabalho de fortalecimento feminino deve começar ainda na infância. “A gente acredita que quanto antes as meninas aprenderem a se conhecer, se respeitar e entender seus limites, melhor. A autodefesa não é ensinar a brigar, mas dar mais segurança e consciência para elas. E isso é muito importante desde cedo”, afirma.
Segundo a educadora, o judô vai muito além das técnicas de combate e contribui diretamente para o desenvolvimento emocional das alunas. “O judô trabalha muito mais do que golpes. Elas aprendem a ter confiança, disciplina, respeito e a não aceitar qualquer situação. Aos poucos, vão entendendo que podem falar ‘não’, se posicionar e pedir ajuda quando alguma coisa não está certa.”
Embora o projeto tenha apenas sete meses de atuação, os resultados já podem ser percebidos no comportamento das participantes. As meninas que eram mais tímidas se tornam mais soltas, participativas e confiantes. Elas começam a se posicionar mais e também levam para casa alguns dos valores que aprendem no tatame.

A proposta do projeto é contribuir para a formação de mulheres mais preparadas para lidar com desafios e situações de vulnerabilidade ao longo da vida. Para isso, o esporte é visto como uma ferramenta essencial no processo de construção da autoestima e da independência.
“A gente acredita muito nisso. O esporte dá ferramentas para a vida. Quando uma menina cresce aprendendo a se respeitar, respeitar o outro, ter confiança e conhecer seus limites, ela se torna uma mulher mais segura para fazer suas escolhas e enfrentar situações difíceis”, ressalta.
Sobre o Projeto Mulheres que Lutam
O Projeto Mulheres que Lutam é uma iniciativa do Instituto Projeção, viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte, com patrocínio da Brasil Terminal Portuário e da Ecorodovias.
Voltado a meninas de 6 a 18 anos em Santos (SP), o projeto atua no contraturno escolar e utiliza o judô como ferramenta de inclusão, formação cidadã e fortalecimento de valores que acompanham as alunas dentro e fora da escola.
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